A pergunta costuma vir assim: «Publiquei um link encurtado para a minha página. Essa página vai receber a autoridade do link?»
A resposta tem duas partes, e a maioria dos textos só trata da primeira.
Primeira parte: o redirecionamento transmite a autoridade. Isso está resolvido há anos.
Segunda parte: havia autoridade para transmitir? É aqui que normalmente se descobre que não havia nada a perder — e que o encurtador não tinha nada com isso.
Redirecionamentos não perdem PageRank
Em 26 de julho de 2016, Gary Illyes, do Google, afirmou que redirecionamentos da série 30x não perdem mais PageRank. A declaração circulou amplamente e não foi desmentida desde então — veja a matéria no Search Engine Land.
O mesmo consta da documentação do Google sobre redirecionamentos: com um redirecionamento bem configurado, os sinais passam para a URL de destino.
Um detalhe importa: isso vale tanto para 301 quanto para 302. A velha crença de que o redirecionamento permanente transmite autoridade e o temporário não ficou desatualizada há quase uma década. Os encurtadores quase sempre usam 302 — justamente porque o destino pode mudar — e isso não afeta a transmissão. O mecanismo está explicado em como funcionam os encurtadores de links.
Portanto o redirecionamento não é o obstáculo. Vamos à segunda parte.
Havia autoridade, para começar?
Antes que algo percorra a cadeia, precisa se originar na página que faz o link. E aqui vem a parte incômoda.
Links em redes sociais, comentários, fóruns e na maior parte do conteúdo gerado por usuários trazem rel="nofollow", rel="ugc" ou rel="sponsored". O que cada atributo significa está na documentação do Google sobre qualificação de links de saída. O sentido comum: a plataforma diz ao buscador que não responde por aquele link e não transmite autoridade por ele.
Daí o ponto central deste texto. Se você publicou um link curto numa rede social, não houve transmissão de autoridade. Mas não por ele ser curto — e sim porque aquela plataforma marca assim todos os links de saída. A URL completa no mesmo lugar teria dado exatamente o mesmo resultado: zero.
O encurtador quase nunca é a causa. A causa é a origem.
Onde encurtar não custa nada
Como nesses lugares não há autoridade de partida, o link curto não tira nada:
- publicações e stories em redes sociais;
- comentários e fóruns;
- mensagens diretas e aplicativos de mensagem;
- QR codes impressos;
- campanhas de e-mail;
- materiais off-line.
Aqui o link curto ganha em todo o resto — legibilidade, mensuração, possibilidade de trocar o destino — e não perde nada.
Onde vale usar a URL completa
Lugares em que um link de fato transmite autoridade:
- um artigo no site de outra pessoa que menciona você editorialmente;
- documentação e material técnico;
- páginas de parceiros e diretórios;
- releases em veículos que não aplicam
nofollowa tudo; - suas próprias páginas.
Aqui também não há perda técnica: o redirecionamento vai transmitir a autoridade. Mas surgem três riscos que a URL completa simplesmente não tem.
Três riscos que existem de verdade
Cadeias de redirecionamento. Um link curto aponta para outro link curto, que aponta para um terceiro. Os rastreadores seguem um número limitado de saltos, e uma cadeia longa demais corre o risco de não ser percorrida até o fim. Um salto é normal; três ou quatro já é problema.
O encurtador pode fechar. Não é hipótese: o Google desligou o goo.gl e uma enorme quantidade de links parou de funcionar. Junto com o link some tudo o que ele transmitia. O detalhe está no texto sobre o que aconteceu com os links goo.gl. O risco também não é abstrato por outro motivo: o link encurtado mediano segue recebendo cliques por 153 dias, então o que quebra não é a campanha de ontem, e sim tráfego que continuaria chegando por anos.
Você não controla o elo do meio. Enquanto o endereço viver num domínio alheio, o destino dele depende de decisões alheias: preços, políticas, bloqueios.
Uma pergunta em aberto sem resposta
Aqui é preciso ser honesto.
Muitos encurtadores, este incluído, devolvem no redirecionamento o cabeçalho X-Robots-Tag: noindex, nofollow. A diretiva noindex pede que o próprio redirecionamento não seja indexado — isso está claro. Mas se o nofollow nesse cabeçalho afeta a transmissão de autoridade através do redirecionamento não está documentado publicamente.
O argumento de que não afeta: nofollow historicamente se refere a links dentro de um documento HTML, e um redirecionamento é uma instrução no nível do HTTP, não um link numa página.
O argumento contrário: a diretiva se chama literalmente nofollow, e o buscador tem o direito de lê-la em sentido amplo.
Nem a documentação do Google nem declarações públicas de sua equipe tratam desse caso específico. Não sabemos a resposta e não vamos fingir que sabemos.
Conclusão prática
Ela não depende de como a questão acima se resolva, e é por isso que é confiável:
Se o link existe por SEO, use a URL completa. Encurtar não traz nada nesse cenário e acrescenta uma cadeia, uma dependência de serviço alheio e uma incógnita.
Se o link existe por mensuração, legibilidade ou pela opção de trocar o destino, encurte tranquilamente. Na esmagadora maioria desses lugares não havia autoridade de partida, então não há nada a perder.
Os dois cenários quase não se sobrepõem, o que costuma tornar a escolha óbvia.
Vale acrescentar à parte: quanto mais seus links se apoiarem no seu próprio domínio, menos você depende de decisões alheias. Com um domínio próprio para links curtos os endereços continuam seus, e trocar de fornecedor vira uma alteração de DNS em vez da reescrita de tudo o que já foi publicado. A conexão é feita na página de domínio próprio.
O que não tem a ver com isso
Dois assuntos vizinhos que costumam ser confundidos com este tema.
Páginas duplicadas. Um link curto não cria cópia: ele devolve um redirecionamento, que não tem corpo nem <head>. Como se tratam duplicatas de verdade está no guia de rel=canonical.
A indexação do próprio redirecionamento. O cabeçalho noindex num link curto serve para que o redirecionamento não apareça nos resultados como página autônoma. Ele não diz nada sobre a autoridade que chega ao destino.