Vamos direto à resposta, porque quase tudo que se escreveu sobre isso está desatualizado: a maioria dos links goo.gl continua funcionando.

O Google anunciou que todos deixariam de resolver depois de 25 de agosto de 2025. Três semanas antes dessa data, mudou o plano. Grande parte das matérias foi publicada antes da correção e nunca foi atualizada — por isso, ao pesquisar o assunto hoje, ainda aparecem afirmações categóricas de que o serviço inteiro foi desligado.

Não foi. Abaixo está o que realmente aconteceu, como verificar um link que você ainda tenha e, mais útil ainda, o que o episódio revela sobre links curtos em geral.

O que realmente aconteceu

A sequência, segundo o próprio anúncio do Google no blog para desenvolvedores:

Data O que mudou
2019 O goo.gl parou de aceitar novos links. Os existentes continuaram funcionando.
Julho de 2024 O Google anuncia que todos os links goo.gl deixarão de funcionar após 25 de agosto de 2025.
23 de agosto de 2024 Uma parcela crescente dos links passa a exibir um aviso intermediário antes de redirecionar.
1º de agosto de 2025 O Google revisa o plano "para preservar os links em uso ativo".
25 de agosto de 2025 Só são desativados os links sem atividade no fim de 2024.

O fator decisivo não foi o prazo, e sim se o link havia sido usado nos últimos meses de 2024. Os que ainda circulavam foram mantidos e, nas palavras do Google, "continuarão funcionando normalmente". Links gerados dentro de produtos do Google, como o Maps, ficaram totalmente fora do desligamento.

O aviso intermediário era o indício. Um link que exibia "este link deixará de funcionar em breve" estava na lista de desativação. Um link que redirecionava em silêncio, não.

A orientação do próprio Google é a mais simples: abra o link. Se ele redirecionar sem exibir mensagem, foi mantido.

Se você prefere não abrir um destino desconhecido — instinto razoável — leia os cabeçalhos da resposta. O destino fica no cabeçalho Location:

bash curl -sI https://goo.gl/abc123 | grep -i location

A opção -I pede apenas os cabeçalhos e, sem -L, o curl para na primeira resposta em vez de seguir a cadeia.

Um código goo.gl desativado ou inexistente hoje devolve HTTP 404 — verificado na redação deste texto. Não há redirecionamento nem página explicativa, o que importa se você estiver auditando muitos links de forma automatizada: o que se procura é um código de status, não um texto na página.

Um detalhe útil se você encontrar documentação arquivada: acrescentar si=1 como parâmetro suprimia o aviso intermediário nos links afetados. Se aparecerem URLs do goo.gl com esse parâmetro em material antigo, a razão é essa.

O que sobrevive ao caso goo.gl

A pergunta interessante não é o que o Google fez, e sim por que um link para de funcionar quando nada no destino mudou.

Um link curto não é um endereço: é uma consulta. É a promessa de um terceiro de continuar traduzindo um código curto para um endereço real, por tempo indeterminado e de graça. O servidor de destino pode estar perfeitamente no ar e o link morre assim mesmo, porque a falha está no meio do caminho.

Disso saem algumas consequências práticas que valem para qualquer encurtador, inclusive este:

Link curto é dependência sem contrato. Serviços gratuitos fecham, empresas são vendidas, domínios expiram. O caso goo.gl é atípico apenas porque o Google avisou com mais de um ano de antecedência e depois suavizou o plano; a maioria dos desligamentos é menos generosa.

Links curtos envelhecem mal em mídia permanente. Um link impresso em livro, aplicado em placa, embutido em QR code de embalagem ou citado em artigo acadêmico não pode ser atualizado depois. São exatamente os lugares em que um encurtador não deveria ser o único registro do endereço. No Brasil isso pesa especialmente em material impresso com QR code, cujo ciclo de vida costuma ser longo.

"Em uso ativo" não é uma propriedade que você controla. O critério do goo.gl foi tráfego em uma janela específica. Um link importantíssimo para você, mas que por acaso não foi usado em 2024, foi desativado; outro que não interessava a ninguém, mas que um rastreador acessava com frequência, sobreviveu. Se a regra de retenção é definida por terceiros, seu arquivo fica sujeito a ela.

  1. Faça o inventário. Procure por goo.gl/ no seu site, na documentação, nos repositórios e nas exportações. Um grep no repositório inteiro costuma achar mais do que se espera.
  2. Resolva cada um até o destino com o método dos cabeçalhos e anote a URL completa ao lado da curta. O que vale preservar é a correspondência: uma vez que o encurtador some, ela não pode ser reconstruída.
  3. Troque o link curto pelo endereço completo sempre que o meio permitir. Em texto corrido raramente há motivo para manter um encurtador.
  4. Onde o link curto for necessário — QR codes, impressos, contextos com limite de caracteres — recrie com um serviço do qual você consiga migrar.

Para os links já desativados, o Google não permite recuperar o destino. Se a página ainda existir, o Wayback Machine às vezes guarda um instantâneo da URL do goo.gl que revela para onde ela apontava.

Reduzindo a dependência

Nada elimina a etapa intermediária: encurtar é isso. Mas duas coisas mudam o perfil de risco.

A primeira é manter sua própria cópia da correspondência. Se você consegue exportar código curto e URL de destino, um desligamento vira migração em vez de perda. Trate essa exportação como parte do seu backup, não como algo que o fornecedor guarda por você.

A segunda é usar um domínio próprio. Com um domínio próprio, os links curtos apontam para um nome registrado em seu nome, e trocar de fornecedor passa a ser uma alteração de DNS em vez da reescrita de todos os links já publicados. As implicações estão detalhadas em domínios personalizados para links curtos.

Nada disso é argumento contra encurtadores. Eles resolvem problemas reais: cliques mensuráveis, endereços legíveis, links que cabem em um QR code sem transformá-lo numa grade impossível de ler. Essas vantagens estão em links curtos: vantagens e desvantagens, e a mecânica do redirecionamento em como funcionam os encurtadores de links.

É um argumento a favor de saber qual é a dependência e de não deixar que uma consulta gratuita a terceiros seja o único registro sobrevivente de um endereço que importa.

O estado atual, em resumo

Se você está lendo isto com um link goo.gl em mãos: abra ou consulte os cabeçalhos. Se resolver, ele foi mantido e não há prazo pendente. Se devolver 404, foi desativado em agosto de 2025 e o destino não é recuperável pelo Google.

Nos dois casos, copie o destino para algum lugar sob seu controle. É essa a lição inteira.