Ao publicar um link você normalmente imagina um público específico: assinantes do canal, clientes da newsletter, visitantes do site. Quase sempre, pessoas do seu próprio país.
Verificamos isso em 723.758 links. O link encurtado mediano recebe cliques de doze países. Menos de quatro por cento dos links permanecem dentro de um único país.
Isso muda várias coisas práticas, do idioma da página de destino à moeda exibida nela.
Metodologia
Amostra: 723.758 links com pelo menos 50 redirecionamentos nos últimos 12 meses. O limiar existe para que a geografia seja calculada sobre um número significativo de cliques, e não sobre duas visitas avulsas.
O país é deduzido do endereço IP do redirecionamento.
Filtragem: nenhuma. Links de teste, de serviço e tráfego automatizado continuam na amostra.
Uma propriedade deste método importa: cada link contribui com exatamente uma observação, independentemente de quantos cliques tenha. Nenhum link grande pode, portanto, distorcer o resultado — ao contrário dos recortes ponderados por volume de tráfego.
Quantos países um link alcança
| Medida | Valor |
|---|---|
| Mediana | 12 países |
| Percentil 75 | 18 países |
| Percentil 90 | 25 países |
| Exatamente um país | 26.687 links — 3,69% |
| Três países ou menos | 74.156 links — 10,25% |
Metade dos links reúne público de pelo menos doze países. Um em cada dez ultrapassa vinte e cinco.
O número inverso importa mais: apenas 3,69% dos links são de fato locais. Se você acredita que seu link funciona dentro de um país, estatisticamente é quase certo que está enganado.
Nem mesmo o país «de casa» é o link inteiro
Segunda medição: que fatia dos cliques de um link vem do seu maior país.
| Percentil | Fatia do país principal |
|---|---|
| 25 | 50,9% |
| Mediana | 63,5% |
| 75 | 78,3% |
No link mediano, o país líder fornece cerca de dois terços dos redirecionamentos. O terço restante vem do exterior. Em um quarto dos links, o país principal nem chega à metade.
Ou seja, mesmo quando um link tem um mercado doméstico evidente, um clique em cada três vem de fora.
Por que isso explica a curva diária plana
Na análise de quando os links curtos são clicados apareceu algo estranho: os links são criados numa curva nítida de horário comercial (dispersão de 2,43 vezes), enquanto os cliques se distribuem quase por igual nas 24 horas (1,38). Ali foi preciso deixar uma ressalva: talvez fossem apenas fusos horários se somando, e um público local mostrasse uma curva mais nítida.
Essa ressalva agora tem resposta. A curva plana não é um artefato estatístico, e sim consequência direta de os links viajarem de verdade. O link mediano vive em doze fusos ao mesmo tempo, e sua curva diária é a soma de doze rotinas diferentes.
Um público local de fato produz uma curva mais nítida. Só que essa situação vale para 3,69% dos links.
O que decorre disso
Verifique o que vê alguém que não lê o seu idioma. Um terço dos redirecionamentos do link mediano chega de fora do país principal. Se a página de destino existe em um único idioma e não oferece como trocar, esse terço bate numa parede.
Preços e moeda. Uma página com preço em uma só moeda a exibe para aproximadamente um terço de visitantes para quem essa moeda é estrangeira. Nem sempre é problema, mas sempre vale saber de antemão.
Não planeje pelo seu fuso horário. Com público espalhado por uma dúzia de zonas, «manhã» e «noite» deixam de ser conceitos compartilhados. O detalhe está no texto sobre o horário dos cliques.
Restrições de disponibilidade. Se o destino não estiver disponível em alguns países — bloqueio geográfico, exigência de idade, regras locais —, você não descobrirá rápido, porque no seu relatório continua parecendo um clique comum.
Some isso à duração de vida. Separadamente medimos que o link mediano segue recebendo cliques por 153 dias. Junto com a geografia, isso significa que um link que você considera «uma promoção local de uma semana» acaba sendo, na prática, um objeto internacional com meio ano de vida. As duas suposições habituais — alcance e duração — erram na mesma direção.
Limitações
A geolocalização por IP é aproximada. VPN, redes corporativas e operadoras móveis roteando por outros países acrescentam países que nunca estiveram ali de fato. Quanto acrescentam não pode ser estimado com estes dados.
O tráfego automatizado não foi filtrado, e aqui é onde mais atrapalha. Rastreadores e pré-visualizadores de mensageiros chegam de datacenters em países diversos, e cada visita dessas acrescenta um país ao link. Parte dos doze observados pode ser exatamente isso. É a fraqueza mais relevante do estudo e enviesa o resultado para cima.
O limiar de 50 cliques enviesa a amostra. Um link que juntou cinquenta redirecionamentos já se espalhou. Links pequenos, que são a maioria, provavelmente são mais estreitos geograficamente, mas estes números não os descrevem.
Abandonamos o recorte por países específicos. Tentamos construir curvas diárias para países grandes separadamente, para medir o quanto mais nítida é a curva de um público local. No maior país, um único link respondia por 34% do tráfego da amostra, e o formato da curva não se repetia de mês a mês. Esse resultado não é publicável, então não o apresentamos.
São dados de um único serviço. Um serviço com outro público mostrará outra geografia.
Um link encurtado é tecnicamente simples: um redirecionamento HTTP comum. Mas não tem fronteiras nem horário: vai mais longe do que o autor supõe e sobrevive à ocasião para a qual foi criado.